Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais

Mais de 550 meninos e meninas aguardam adoção em Minas

Na semana do Dia Nacional da Adoção, TJMG divulga dados sobre cenário no Estado


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A jornalista Luciana Neves lembra-se com detalhes do dia 21 de janeiro de 2013. A manhã e a tarde haviam transcorrido em um clima normal, em meio a tarefas profissionais, quando um telefonema a tirou do prumo. Do outro lado da linha, um servidor da Vara da Infância da Juventude da Comarca de Belo Horizonte lhe deu a notícia que ela aguardava há dez meses: havia um bebê apto à adoção e ela era a próxima da fila. Teria de se dirigir para lá no mesmo dia, a fim de buscá-lo.

 

“Eu literalmente perdi a voz. Naquele dia, não era algo com que eu sequer sonhava. É claro que eu estava na expectativa, pois aquele telefonema poderia acontecer a qualquer momento. Mas, na hora, comecei a tremer”, recorda-se. Um turbilhão de emoções dominou a jornalista: medo e alegria se misturavam. Já na porta da vara, aguardando o marido, para um carro e de lá desce uma pessoa com um bebê no colo. “Quando passou por mim, na hora disse: é meu filho”. E era: Marcelo, com 6 dias de vida, chegava da maternidade e entrada definitivamente na vida de Luciana. Lá se vão 4 anos e meio...

 

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Ao relatar aquele primordial encontro, Luciana tem o mesmo tom emocionado de que se revestem os depoimentos de incontáveis pais e mães sobre a experiência da adoção. Paternidades e maternidades gestadas em corpos alheios, mas que brotam com plenitude daquele que é considerado um dos mais expressivos atos de amor. As adoções permitem oferecer um lar e uma família para meninos e meninas que, sem isso, não teriam essa chance na vida; para quem adota, por outro lado, o gesto se revela a oportunidade da experiência do amor incondicional por alguém.

 

A espera por um lar

 

Mas nem sempre o encontro entre quem deseja adotar e quem sonha ser adotado acontece. Dados da Coordenadoria da Infância e da Juventude (Coinj) do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) indicam que há hoje, em todo o Estado, 587 crianças e adolescentes aptos à adoção – 71 delas em Belo Horizonte –, o que significa dizer que estão em abrigos, aguardando uma família que queira acolhê-los como filhos. Por trás da estatística, estão situações dramáticas: crianças e adolescentes que sonham ser adotadas, para deixar para trás a vida institucionalizada – com horário para tudo, dentro dos muros de uma instituição, e sem o afeto de uma família.

 

Na outra ponta, encontram-se, neste momento, 4.670 pretendentes na fila para adotar – 194 na capital. A disparidade dos números se explica pelo perfil de busca de meninos e meninas. Do total de pretendentes, 745 desejam adotar crianças brancas e apenas 73 negras. As crianças mais velhas são as que mais têm dificuldade de ser adotadas – quanto mais o tempo passa, menor a chance de adoção. O número dos que buscam bebês até 1 ano de vida é de 882 – o número cai para 150 pretendentes dispostos a adotar meninos e meninas de até 7 anos de idade.

 

Mas o perfil dos pretendentes a adotar tem mudado em sintonia com o surgimento de novas configurações familiares. Até recentemente, a quase totalidade de quem desejava adotar eram casais que não conseguiam engravidar e desejavam um bebê. Hoje, há também casais homoafetivos e mulheres e homens solteiros, muitos deles dispostos a adotar crianças mais velhas. Os números dos que querem adotar crianças até 2 anos é de 919; até 3 anos, 968; até 4 anos, 651; até 5 anos, 552; e até 6 anos, 310.

 

Veja um vídeo com a história da professora Sônia Rocha Menezes, que adotou três irmãos, todos maiores de 7 anos.

 

Amor em dose dupla

 

Fugindo às estatísticas, a psicóloga Bruna e o marido dela, o técnico de informática Welder, optaram pela chamada adoção tardia: desejavam adotar uma menina (com uma ou duas irmãs), com idade entre 5 e 11 anos. “Desde sempre, meu desejo era adotar; eu não queria filhos biológicos. Pensamos em crianças mais velhas porque sempre fiz trabalho voluntário em abrigos e via que eram esses meninos e meninas que estavam ali; não havia bebês, esses eram adotados. Além disso, pensamos no nosso estilo de vida e concluímos que crianças mais velhas poderiam acompanhar melhor nosso ritmo”, lembra.

 

O desejo estava tão consolidado na vida do casal que na mesma semana em que Bruna e Welder se casaram eles deram início ao processo para se candidatarem como pretendentes à adoção. No final do ano passado, no site Busca Ativa, que visa auxiliar na busca por adotantes já habilitados para crianças e adolescentes denominados “de difícil colocação”, ela viu que duas meninas, gêmeas de 8 anos, estavam em um abrigo em Belo Horizonte. Iniciaram-se assim alguns trâmites até que, em março deste ano, ela e o marido finalmente puderam conhecer as gêmeas. “Foi o momento mais emocionante da minha vida. Para mim, foi um reencontro de almas. Eu pensava: como assim elas ainda não faziam parte da minha vida?”, conta Bruna.

 

Do primeiro dia de visita no abrigo, Bruna saiu aos prantos, com o sentimento de que estava deixando para trás, em uma instituição, as próprias filhas. Durante dois meses, o casal visitou diariamente as meninas, em uma fase de aproximação entre todos. “Saíamos de lá todas as vezes chorando, pois era cada dia mais difícil voltar pra casa sem elas”, conta a psicóloga. Neste mês de maio, as meninas (os nomes e as imagens delas ainda precisam ser preservados) se mudaram definitivamente para a casa de Bruna e Welder. “A gente não consegue imaginar a vida, a casa, sem elas. É como se as meninas tivessem estado aqui desde sempre, desde que começamos a namorar. São nosso xodó”, resume Bruna, sobre a experiência desse amor em dose dupla.

 

Na nuvem

 

Em Minas, no ano passado, foram efetivadas 1.031 adoções, 116 delas em Belo Horizonte. Para todas essas famílias, a jornalista Luciana Neves, cujo relato abre este texto, tem um recado: dizer sempre a verdade sobre a adoção. Quando o filho dela estava com 2 anos de idade, ela começou a contar para ele a história de um menino e de uma moça, abordando o delicado tema. Até que um dia a criança intuiu que se tratava da história deles. A experiência virou o livro “O menino que morava na nuvem”, que ela tem divulgado em escolas, para desmistificar para as crianças o instituto da adoção, e que também é voltado para pais e mães, a fim de ajudá-los no processo de contar a seus filhos como foi a “gestação” e o “parto” deles naquela família. Saiba mais sobre o livro aqui.

 

Para saber mais sobre o processo de adoção, confira na página na Coinj, aqui.

 

Assessoria de Comunicação Institucional – Ascom

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